"É preciso viajar incessantemente ao encontro do que está para acontecer, e insisto em que é possível viajar pelo nosso bairro, até mesmo pela nossa rua. Sempre circulei atento à aparição do imprevisto, e passei a minha vida à espera de que algo acontecesse - alguma coisa, qualquer coisa -, pressentindo que a notícia de que algo acontecera viria por carta. Tornaram-se folclóricos os telefonemas que eu dava para a redação, repetindo a mesma pergunta: chegou alguma carta? Sempre aguardei com ansiedade a chegada da correspondência, sempre que o telefone tocava eu corria a atender. Ainda hoje, quando recebo algum envelope, não consigo esperar para abri-lo. Geralmente, são esses extratos de banais enviados pelos bancos, mas não desisto: algum dia chegará a notícia de que algo aconteceu."
Do jornalista Samuel Wainer, na autobiografia Minha razão de viver.
